terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Guilherme Arantes, cadê ele? Desaprendeu?

Zumbi

Morto, vivo esperando o fim do dia.

Vivo morrendo, como se pudesse ver

a solução para a solidão,

o passar de dimensão,

o desmedir a vida.

Vida, onde está a vida? Morta?

sábado, 14 de janeiro de 2012

Pedaço de mim, obra de arte do Chico

Pedaço de Mim

Chico Buarque

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

Compartilhar sua fé, muito bom!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Universo no teu corpo, Taiguara

Vale à pena ver e ouvir...

 

 

 

Universo no teu corpo

Taiguara

Eu desisto
Não existe essa manhã que eu perseguia
Um lugar que me dê trégua ou me sorria
E uma gente que não viva só pra si

Só encontro
Gente amarga mergulhada no passado
Procurando repartir seu mundo errado
Nessa vida sem amor que eu aprendi

Por uns velhos vãos motivos
Somos cegos e cativos
No deserto do universo sem amor

E é por isso que eu preciso
De você como eu preciso
Não me deixe um só minuto sem amor

Vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu corpo
Eu te abraço corpo imerso no teu corpo
E em teus braços se unem em versos à canção

Em que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo

São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos

Vem, vem comigo
Meu pedaço de universo é no teu corpo
Eu te abraço corpo imerso no teu corpo
E em teus braços se unem em versos a canção

Em que eu digo
Que estou morto pra esse triste mundo antigo
Que meu porto, meu destino, meu abrigo
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos
São teu corpo amante amigo em minhas mãos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Uma passagem de Francis Shaffer

Cheguei ao ponto em que, ouvindo a palavra "Jesus" - que para mim se reveste de tanto significado por causa da Pessoa do Jesus histórico e Sua obra - fico a escutar cuidadosamente, porque, digo isso com tristeza, tenho mais medo dessa palavra do que de qualquer outra no mundo atual. O termo é usado hoje em dia como um emblema sem conteúdo a que se convida nossa geração a seguir. Mas não lhe empresta sentido racional, bíblico, através do qual se possa testá-lo e, dessa forma, a palavra está sendo empregada para ensinar exatamente o oposto daquilo que Jesus ensinou. Inculca-se o termo e insiste-se com os homens para que o sigam com fervor altamente motivado, e isso em parte alguma com intensidade maior que na nova moralidade que resulta da Nova Teologia. 

Atingimos, pois a deplorável situação em que o nome Jesus se converteu num inimigo da pessoa e do ensino de Cristo. Devemos temer esse emblema sem conteúdo, que é a palavra "Jesus", não porque não o amemos, mas exatamente porque o amamos. Devemos combater a bandeira sem conteúdo, com sua motivação profunda, enraizada nas lembranças da humanidade, que está sendo manipulada para os fins da forma e do domínio sociológicos. 

Essa tendência que parece ganhar cada vez mais aceleração e momento, me leva a pensar se, quando Jesus disse que no fim dos tempos surgiriam falsos Cristos, não tinha em mente algo como o que se passa hoje. Não devemos esquecer que o grande inimigo que está por vir é o Anticristo. Não é ele um anti-não-Cristo. É Anti-Cristo. Cada vez mais, nesses últimos poucos anos, o termo "Jesus", despojado de todo o conteúdo bíblico, tem se tornado o inimigo do Jesus da história, o Jesus que morreu e ressuscitou e virá segunda vez, o eterno Filho de Deus. Se os cristãos evangélicos começarem a ceder à dicotomia, separando o encontro com Jesus do conteúdo das Escrituras (inclusive do discutível e do verificável), sem o desejarmos entretanto, estaremos lançando tanto a nós mesmos quanto a geração vindoura no redemoínho do sistema moderno. Esse sistema nos cerca como um consenso quase monolítico.

(SHAFFER, Francis. A morte da razão (adaptado). Ed Fiel, 1968)